(desculpem- me mais uma vez os erros gramaticais)
Quando meus pés inseguros
tocaram esse chão frio
Um vazio me invade o peito
Ainda que relusente, o marfim
é rígido e não esquenta os pés
descalços
É carrasco de quem já foi
castigado sem ser criminoso
Não despontada ou desiludida
pois sabía por conhecimento,
de causa e de estrada
que esse caminho é cruel
porém não é ingrato;
Sem melancolia, horror ou tristeza
só o vazío mais profundo
que possa caber no infinito
Nem dar voltas, nem voltar atrás
é o caminho de quem já pisou em pedras
e com os pés ainda feridos
não ousa pisar nelas novamente
mas elas estão embaixo dos meus pés
E novamente ando por esse
supermercado, essa praia, aquela praça
e em prantos de sangue vejo meus pés
tortuosos, torturados, cançados coitados
Mas agora vou até lá sozinha
sem vida, sem cor, sem carne
Não espero mais nada, por que
este corpo está cançado, ainda,
que a alma descance
Apenas ao final deste caminho
que o peito acorde ou não,
este corpo se levanta,
por que não é douçura do tempo
esperar que o tempo passe
que a ferida cicratize
e que os orgão imóveis, se animem
como sangue sem pulso que corre em mim,
Só me resta o nada, de coisa alguma
que já fede a podre das entranhas
das histórias que ouvia, mas eram histórias
não estórias e eu não sabía,
Vai em paz e descança
tu sem alma, tu sem dor
tu sem cor...
Autora: Cristina Borges

